sexta-feira, 6 de julho de 2012

DOR QUE DÓI E SALVA

Sentir dor é muito ruim, não é mesmo? Quando sentimos uma dor, logo queremos um remédio, um medicamento que acabe com ela e nos alivie. A Wikipédia define dor como “uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional”. Mas, o que realmente é a dor? Por que ela existe? Qual sua importância. Você já parou pra pensar que é a dor que te mantém vivo. Não fosse pela dor e você teria morrido totalmente queimado naquela vez que esqueceu o braço ao lado da panela quente. Não fosse a dor e aqueles dois garotos se bateriam até à morte naquela briga de rua.
A dor é o nosso sinal de alerta: Alguma coisa está errada! A dor é uma qualidade sensorial fundamental que alerta os indivíduos para a ocorrência de lesões ou danos, permitindo que mecanismos de defesa ou fuga sejam adotados. Embora possa parecer estranho, a dor, apesar de desagradável é um efeito extremamente necessário.
Os gregos antigos acreditavam que a dor fosse uma emoção. Hoje, embora ainda podemos chorar de dor ou morrer de felicidade quando ela se vai, a ciência classifica a dor como uma sensação. Assim como outros sentidos - olfato ou paladar - a dor necessita de órgãos especiais para a detecção e informação ao Sistema Nervoso Central. Nociceptores são os receptores responsáveis pela sensação de dor, que pode ser provocada por estímulos térmicos (queimadura), mecânicos (pancadas) ou químicos (ardência causada por um medicamento em um corte, por exemplo). A função desses receptores é transmitir informações aos neurônios, as células nervosas, sobre a lesão. O processo evolucionário tratou de colocar nociceptores pelo nosso corpo inteiro. Entretanto, há uma importante excessão: o cérebro. No cérebro não existe nociceptores. Este orgão é completamente insensível à dor. Isto explica a famosa cena do filme Hannibal, onde o personagem Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) degusta, lentamente, porções do cérebro do seu rival Krendler (Ray Liotta), o qual parece indiferente ao episódio e, inclusive, prova um pouco da iguaria. A meninge (membrana que encapsula o cérebro), entretanto, é repleta de nociceptores (http://www.qmc.ufsc.br).
A dor, portanto é uma resposta do sistema nervoso para alguma coisa que não anda bem. E a dor é também um aprendizado, ou seja, a sensação de dor deixa em nós uma memória. Por exemplo, se ao colocar a mão no fogo, uma criança sente a dor da queimadura, então, em uma próxima vez ela terá medo de repetir o feito, porque colocar a mão no fogo está associado a uma situação de perigo, a uma sensação desagradável. Ao sentirmos dor, nos distanciamos daquilo que pode comprometer nosso bem estar, portanto a dor que tanto nos maltrata é um aliado para que possamos continuar vivos e saudáveis.
No entanto, não é somente a dor física, ou seja, a dor do corpo que nos maltrata, mas também a dor da alma. A dor do sofrimento. E isso também pode ser um aprendizado. Por exemplo, se confiamos um segredo a um amigo e ele nos trai, a dor da decepção gera um sofrimento que nos impedirá de confiar novamente nossos segredos a outras pessoas. E claro. A dor da alma mais clássica que existe é a dor do amor. Um amor perdido, mal resolvido, pode levar a um trauma eterno evitando que a pessoa ame novamente. A dor sentida “previne” sofrimentos futuros. Aprendizado.
Perder um amor ou ser traído por um amigo pode ser mais traumático do que quebrar um braço. A conclusão é de um estudo da Universidade Purdue, nos Estados Unidos. Os cientistas entrevistaram jovens universitários sobre dores físicas e emocionais que vivenciaram nos últimos cinco anos. Em seguida, eles foram submetidos a um teste mental, no qual o desempenho foi considerado pior à medida que a emoção fosse mais intensa. Quem relatou ter passado por experiências sociais desagradáveis obteve uma pontuação mais baixa. Esse tipo de recordação despertou sofrimento mais facilmente do que as memórias da dor física (http://saude.abril.com.br).
E você? Qual é a dor que mais te dói?