sexta-feira, 6 de julho de 2012

DOR QUE DÓI E SALVA

Sentir dor é muito ruim, não é mesmo? Quando sentimos uma dor, logo queremos um remédio, um medicamento que acabe com ela e nos alivie. A Wikipédia define dor como “uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional”. Mas, o que realmente é a dor? Por que ela existe? Qual sua importância. Você já parou pra pensar que é a dor que te mantém vivo. Não fosse pela dor e você teria morrido totalmente queimado naquela vez que esqueceu o braço ao lado da panela quente. Não fosse a dor e aqueles dois garotos se bateriam até à morte naquela briga de rua.
A dor é o nosso sinal de alerta: Alguma coisa está errada! A dor é uma qualidade sensorial fundamental que alerta os indivíduos para a ocorrência de lesões ou danos, permitindo que mecanismos de defesa ou fuga sejam adotados. Embora possa parecer estranho, a dor, apesar de desagradável é um efeito extremamente necessário.
Os gregos antigos acreditavam que a dor fosse uma emoção. Hoje, embora ainda podemos chorar de dor ou morrer de felicidade quando ela se vai, a ciência classifica a dor como uma sensação. Assim como outros sentidos - olfato ou paladar - a dor necessita de órgãos especiais para a detecção e informação ao Sistema Nervoso Central. Nociceptores são os receptores responsáveis pela sensação de dor, que pode ser provocada por estímulos térmicos (queimadura), mecânicos (pancadas) ou químicos (ardência causada por um medicamento em um corte, por exemplo). A função desses receptores é transmitir informações aos neurônios, as células nervosas, sobre a lesão. O processo evolucionário tratou de colocar nociceptores pelo nosso corpo inteiro. Entretanto, há uma importante excessão: o cérebro. No cérebro não existe nociceptores. Este orgão é completamente insensível à dor. Isto explica a famosa cena do filme Hannibal, onde o personagem Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) degusta, lentamente, porções do cérebro do seu rival Krendler (Ray Liotta), o qual parece indiferente ao episódio e, inclusive, prova um pouco da iguaria. A meninge (membrana que encapsula o cérebro), entretanto, é repleta de nociceptores (http://www.qmc.ufsc.br).
A dor, portanto é uma resposta do sistema nervoso para alguma coisa que não anda bem. E a dor é também um aprendizado, ou seja, a sensação de dor deixa em nós uma memória. Por exemplo, se ao colocar a mão no fogo, uma criança sente a dor da queimadura, então, em uma próxima vez ela terá medo de repetir o feito, porque colocar a mão no fogo está associado a uma situação de perigo, a uma sensação desagradável. Ao sentirmos dor, nos distanciamos daquilo que pode comprometer nosso bem estar, portanto a dor que tanto nos maltrata é um aliado para que possamos continuar vivos e saudáveis.
No entanto, não é somente a dor física, ou seja, a dor do corpo que nos maltrata, mas também a dor da alma. A dor do sofrimento. E isso também pode ser um aprendizado. Por exemplo, se confiamos um segredo a um amigo e ele nos trai, a dor da decepção gera um sofrimento que nos impedirá de confiar novamente nossos segredos a outras pessoas. E claro. A dor da alma mais clássica que existe é a dor do amor. Um amor perdido, mal resolvido, pode levar a um trauma eterno evitando que a pessoa ame novamente. A dor sentida “previne” sofrimentos futuros. Aprendizado.
Perder um amor ou ser traído por um amigo pode ser mais traumático do que quebrar um braço. A conclusão é de um estudo da Universidade Purdue, nos Estados Unidos. Os cientistas entrevistaram jovens universitários sobre dores físicas e emocionais que vivenciaram nos últimos cinco anos. Em seguida, eles foram submetidos a um teste mental, no qual o desempenho foi considerado pior à medida que a emoção fosse mais intensa. Quem relatou ter passado por experiências sociais desagradáveis obteve uma pontuação mais baixa. Esse tipo de recordação despertou sofrimento mais facilmente do que as memórias da dor física (http://saude.abril.com.br).
E você? Qual é a dor que mais te dói?

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O PODER DA ORAÇÃO - A FÉ AJUDA A CURAR

A edição de número 1859 da revista Isto É traz uma reportagem que diz que os cientistas já admitem que as práticas espirituais fazem bem à saúde. Segundo a reportagem, a medicina começa a incluir cada vez mais em suas práticas o instrumento da espiritualidade no cuidado com os pacientes.
Uma razão que explica o crescimento da importância do assunto está ancorada na observação clínica dos efeitos positivos da espiritualidade. O oncologista (médico que trata do câncer)  Riad Yunes, do Hospital do Câncer de São Paulo, é um deles. “Os pacientes que têm religiosidade parecem suportar mais as dores e o tratamento. Também lidam melhor com a idéia da morte”, observa.
Esse tipo de informação já aparece em diversas pesquisas. Muitas estão sendo feitas pelo médico Harold Koenig, da Universidade de Duke (EUA). Entre seus achados estão resultados interessantes. Pessoas que adotam práticas religiosas apresentam 40% menos chance de sofrer de hipertensão, têm um sistema de defesa mais forte, são menos hospitalizadas, se recuperam mais rápido e tendem a sofrer menos de depressão quando se encontram debilitadas por enfermidades. “Hoje há muitas evidências científicas de que a fé e métodos como a oração e meditação ajudam os indivíduos”, afirma Thomas McCormick, do Departamento de História e Ética Médica da Universidade de Washington (EUA).
Estimulados por essa realidade, os cientistas procuram respostas que elucidem de que modo esse sentimento interfere na manutenção ou recuperação da saúde. Há algumas explicações. Uma delas se baseia numa verdade óbvia: a de que quem cultiva a espiritualidade tende a ter uma vida mais saudável. “Os estudos comprovam que a religiosidade proporciona menos comportamentos auto-destrutivos como suicídio, abuso de drogas e álcool, menos stress e mais satisfação. A sensação de pertencer a um grupo social e compartilhar as dificuldades também contribuiria para manter o paciente amparado, com melhor qualidade de vida”, explica o psiquiatra Alexander Almeida, do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).
Os cientistas, no entanto, querem saber o que se passa na intimidade do organismo quando as pessoas oram, lêem textos sagrados e qual o impacto disso na capacidade de se defender das doenças.  Acredita-se que isto esteja relacionado a mudanças produzidas pela fé na bioquímica do cérebro.
Para aprofundar as investigações, está surgindo até um novo campo de conhecimento, chamado de neuroteologia. Trata-se de uma área de pesquisa dedicada ao estudo da resposta das regiões cerebrais em face da fé e da espiritualidade. Segundo o neurocirurgião Raul Marino Jr., chefe do setor de neurocirurgia do Hospital das Clínicas de São Paulo “Práticas como a prece, a meditação e a contemplação modificam a produção de substâncias do cérebro que têm atuação em locais envolvidos no processamento das emoções”.
Outro que usa a ferramenta da fé é o cirurgião oncológico Paulo Cesar Fructoso, do Rio de Janeiro, integrante da Sociedade Brasileira de Cancerologia, mas ele alerta que “nenhum tratamento médico deve ser interrompido”, é importante que fé e ciência andem sempre juntas.
Os cientistas parecem que se cansaram que lutar contra o óbvio. Homens da ciência acabarão por comprovar aquilo que as pessoas que têm fé já sabem há muito tempo.

Fonte: Revista Isto É no. 1859

segunda-feira, 11 de junho de 2012

CORAÇÃO TEIMOSO QUE NÃO SE CANSA DE SOFRER!

Dia dos namorados é uma data muito sugestiva até para quem não tem namorado. Dá vontade de ter um, só pra jantar juntinho, tomar uma taça de vinho, sentar de frente na mesa, olhar nos olhos, ouvir uma música popular brasileira e depois dormir abraçadinho, neste friozinho gostoso. Enlaçar os pés. Tudo isso parece perfeito. Se fosse perfeito. Mas não é. E aí quando você vê a realidade “nua e crua”, descobre que se você tivesse um namorado, provavelmente ele iria substituir o seu vinho branco por umas boas dúzias de cerveja, iria reclamar da sua comida que, “vamos combinar” não é realmente lá essas coisas (mas ele não tem direito de jogar isso na sua cara). Com certeza iria desligar aquele sonzinho suave e ficar mudando mil vezes o controle remoto para enfim, sempre parar naquele mesmo canal de esportes. Sem contar que dormir abraçadinho com o seu “príncipe encantado” pode ser o mesmo que tentar dormir abraçado com um cavalo numa baia. Um embate a noite toda! Aff!
Divagações infundadas de uma doida solitária, tentando achar desculpas para sua solidão e que sente falta de tudo isso. Não! De tudo isso, não. De tudo aquilo. Aquilo que eu descrevi lá em cima. Mas realmente alguns homens (só alguns - não vamos generalizar), se parecem mais com isso aí...isso aí, no final do parágrafo anterior. E apesar de saber de todas as loucuras que uma paixão proporciona, meu coração vive me “pregando peças”. E é com ele o meu “papo” de hoje.
Querido Coração,
Aos 15 anos de idade você amou pela primeira vez, lembra? Ou melhor. Pela primeira e última vez. Dos 15 aos 19 anos você viveu sobressaltado com o único amor das nossas vidas. Ele era lindo, lembra? Estatura mediana, moreno, cor de canela, cabelos lisos e os olhos verdes. Pareciam um alvorecer no mato de tão verdes. E seus olhos perdiam-se em uma timidez incomum. Era meu primo (ou melhor, ainda é). E amor, ele foi o único. Até hoje não sei por que não deu certo. Talvez para que se fizesse perfeito. Por que o único amor perfeito é aquele que não deu certo e ficamos a vida toda sonhando com a perfeição que ele seria. Os amores que dão certo nunca são perfeitos. A convivência trata de eliminar a perfeição.
Ah! Mas você, coração, nada sabe de amor. Você é mestre mesmo é nas paixões. E quantas paixões, não é mesmo seu imprudente. Seis ou sete...no ano. No ano, né?? Seu inconsequente. E as paixões sempre foram meu grande mal. Elas demoram em média 24 horas para me arrebatar. Você acelera, parece que vem à boca, minha cabeça gira e...Puff! Lá estou eu apaixonada. Já era!
Quase sempre essas loucas paixões se vão como vieram. Da noite para o dia. E eu, profundamente infeliz, parece que vou morrer e tenho certeza que você está partido. E deixa eu correr para recolher os seus pedaços, não é, seu maluco? E aí como em um passe de mágica, aquilo que eu achei ser o meu fim já ficou para traz e lá está você...de olho em outra confusão.
O problema é que a cada nova aventura sua, mais cicatrizes vão sendo deixadas. Algumas profundas e já estou cansada de ficar colando os seus cacos. Eu preciso, coração, que você descanse (e parece que ouço você me dizendo: “vou ter a eternidade toda para descansar”). Veja bem, Você já não é mais criança. Não fica bem ficar batendo feito louco por qualquer sorriso bonito que apareça (Nossa! E o último era bonito mesmo, hein?). Bom! Não importa! Deixa isso para lá. Essa é uma cicatriz que ainda dói.
Vê se toma juízo, coração, porque não é só de paixão que você vive. Qualquer dia uma emoção forte como essas que você gosta de viver ainda vai fazer você parar de bater. E sem você, meu amigo, sem você eu não vivo.

domingo, 10 de junho de 2012

PAZ E JUSTIÇA

Neste tempo em que a sociedade global mergulha em profunda crise ética, cabe lembrar que nem tudo que é justo aos olhos da lei é justo aos olhos de Deus. Nem tudo que é legal (permitido pela lei), é ético ou moralmente correto. Por exemplo, o que é violência para você? E nós? Diante dela, o que fazemos? Sentamos de braços cruzados em frente a TV, ouvimos estas notícias, julgamos, condenamos e agimos como?? Não agimos. Só falamos.
É a violência da rua que te assusta? Os assaltos? As agressões? As brigas? As drogas?
Se observarmos nosso dia a dia, desde o acordar até o adormecer, na nossa família e na família do outro lado, podemos crer no que dizem as estatísticas: 80% das violências acontecem dentro de casa com grande repercussão nas crianças, que muitas vezes carregam as marcas pelo resto de suas vidas, tornando-se agressivos, violentos. Buscando saída nas drogas, no álcool.
A PAZ começa em casa. A Pastoral da Criança alerta: “É fundamental  que entendamos que é dentro da família que a pessoa começa a ser educada tanto para a violência quanto para a paz. É preciso criar UMA CULTURA DO AMOR no ambiente familiar.”
Em que condições estamos criando nossa família? Na cultura do amor e do diálogo? Ou na cultura do medo? Na base do “eu sou seu pai, eu mando aqui”, ou na base do “criança não tem querer”? É na cultura do grito ou na cultura dos argumentos lógicos que estamos criando nossos filhos?
São os roubos que te põem medo? São os assassinatos? Bandidos cruéis tiram teu sono? E pra você?? Bandido bom é bandido morto? É?? Se você pensa assim com certeza você seria um dos que gritaram para Pôncio Pilatos “crucifica-o”, referindo-se a Jesus Cristo. Você acha que estou comparando Jesus a um bandido do nosso tempo? Lembre-se: para os que crucificaram Jesus, ele era bandido. E o bandido que você condena pode ser inocente.
E a justiça de Deus segue outros caminhos. Jesus, o único que podia julgar e condenar na sua última hora dá ao ladrão do seu lado o PERDÃO e não a condenação.
E mesmo que o bandido seja bandido mesmo...e se ele fosse seu filho? Ainda assim você o queria morto? Não seria melhor se ele pudesse ser recuperado? Se ele enxergasse outras possibilidades na vida além do crime? Nós, na maioria das vezes nos deixamos levar pela falsa idéia de que a violência e a maldade já nascem com o ser humano. Quem é mal já nasce mal e nada vai mudá-lo. “pau que nasce torto, morre torto”, dizia minha avó. Desta maneira, nós contribuímos para perpetuar preconceitos, e... verdade, verdadeira, não “estamos nem aí” para o sofrimento alheio. Existe um profundo descaso em relação à situação dos presidiários no Brasil. Nossas leis se preocupam em punir e não em recuperar. O caos das penitenciárias brasileiras é tão grande que é comparado por especialistas a uma bomba-relógio que poderá explodir a qualquer momento. O sistema penitenciário agride, violenta psicologicamente e fisicamente os detentos. Os índices de suicídio nos presídios são assustadores. Homicídios acontecem a todo momento e os que retornam as sociedade saem  três vezes mais violentos do que entraram. Conflito gera conflito. Medo gera medo. Violência gera violência.
Que justiça estamos criando? A paz é fruto da verdadeira justiça e não de uma justiça de fachada. O apóstolo Paulo de Tarso, em Carta aos Hebreus, diz: "Lembrem-se dos presos como se vocês estivessem na prisão com eles. Lembrem-se dos que são torturados, pois vocês também têm um corpo" (Hb 13, 3). E para você, o que é paz? Deve-se lembrar que "paz" não constitui apenas a inexistência de guerras, mas é também o respeito aos direitos humanos, o respeito aos direitos do outro, é a prevalência da verdade sobre  a mentira, é o direito preservado a um trabalho digno para o sustento honesto da família, e o respeito ao ambiente em que vivemos e acima de tudo é abrir o coração para os ensinamentos estabelecidos por Deus.
Estamos vivendo a época da globalização. Em segundos falamos com alguém do outro lado do mundo. A internet rompeu todas as fronteiras de países e continentes. Já globalizamos a cultura, a ciência e até a crise. Só não globalizamos ainda, a PAZ. Basta mais um passo para efetivarmos a globalização da paz. O que falta é uma profunda transformação espiritual e moral. Trata-se de passo grandioso, mas é um só. Ele pode e precisa ser conquistado no interior de cada coração, família, comunidade, grupo social, empresa, governo e nas inter-relações entre eles. A paz só será possível quando forem reduzidas as inúmeras desigualdades pelo mundo, de modo especial as imensas desigualdades entre os muitos países pobres e miseráveis e os poucos países que concentram riquezas.
A Paz brota onde as sementes da justiça encontram corações, consciências e mãos abertos à partilha, à cooperação, ao respeito, à tolerância, à compaixão e à reconciliação.
A prática da verdadeira justiça deve ser um esforço permanente de promoção da vida. Somente essa justiça é que pode garantir a paz duradoura!

domingo, 3 de junho de 2012

FESTA DO SENHOR BOM JESUS DA LAPA – JARDINÓPOLIS SP – 100 ANOS DE RELIGIOSIDADE POPULAR.

Esta semana não publicarei minha reflexão costumeira do blog para poder abrir espaço à divulgação do centenário da mais tradicional festa de religiosidade popular de toda a região de Ribeirão Preto. A Festa do Senhor Bom Jesus da Lapa de Jardinópolis, A minha cidade. Segue texto publicado no Jornal “Notícias do Santuário”, para a divulgação do evento que se estenderá por todo o próximo ano.

PROJETO: “Celebrando o Centenário.
             “O ano de 2013 será marcante para a Igreja Católica do Brasil. Teremos a alegria de sediar a Jornada Mundial da Juventude que acontecerá no Rio de Janeiro em julho, e ainda teremos a presença de nosso pastor o Papa Bento XVI neste encontro ímpar com a nossa juventude católica de todo o mundo.
            Contudo, para a cidade de Jardinópolis, 2013 será ainda mais especial, isto porque a tradicional e querida festa do Senhor Bom Jesus da Lapa completará 100 anos de evangelização, comprometimento e caminho para a salvação de inúmeros homens e mulheres que aos pés do Senhor Bom Jesus recorrem a cada ano renovando sua fé e esperança no reino que é de todos.
            Assim sendo, a reitoria do Santuário Arquidiocesano do Senhor Bom Jesus da Lapa iniciou o projeto “Celebrando o Centenário” que colaborará na preparação deste momento de muita alegria para todos os romeiros e devotos. Aconteceu em maio a primeira reunião da equipe deste projeto, que no dia 06 de agosto deste ano iniciará a contagem regressiva para jubileu deste Santuário, novo diante de documentos canônicos, mas já experiente e amado na fé deste povo devoto.
            Nas próximas edições, o nosso “Notícias do Santuário” (N.S.), estará trazendo o que está sendo pensado e preparado, para que este centenário seja um momento verdadeiramente evangelizador e celebrativo para todos os que devotamente em romaria caminham para agradecer as bênçãos derramadas do alto da cruz sobre todos.Contamos com a ajuda Todos!”(Notícias do Santuário, Junho de 2012).

Entrevista com a Equipe Celebrando o Centenário.
N.S. - Quem faz parte desta equipe?
Equipe: Todos os coordenadores das equipes de serviço do Santuário Arquidiocesano do Senhor Bom Jesus da Lapa de Jardinópolis. Ou seja, o coordenador geral e de equipes de Liturgia, coordenadores das equipes de Batismo, de Noivos, da Renovação Carismática Católica, de eventos e dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão. Após esses primeiros contatos a ideia é estender os preparativos à participação de todos aqueles que prestam serviços e estão diretamente envolvidos com o dia-dia do Santuário e não ficar restrito aos coordenadores.

N.S. – Quando começam os trabalhos para este momento importante?
Equipe: Já começaram. Alguns membros desta equipe já estão se mobilizando em alguns dos preparativos mais urgentes, principalmente aqueles que precisam ser pensados e resolvidos com bastante antecedência para que tudo se encaminhe sem estresse e da maneira como os nossos romeiros fiéis merecem. 

N.S. – Existe uma agenda de eventos para preparar a cidade e a região para celebrar o centenário?
Equipe: Sim. E isso é muito importante. A Festa da Lapa é do município e principalmente de todo o POVO de Jardinópolis, por isso, é necessário que todos se mobilizem em torno deste momento especial na vida do Santuário. Para isso, existe a ideia de movimentar as pessoas, os jovens, os idosos e, quem sabe, as escolas do município para o aspecto histórico e cultural da Festa e sua importância na história da própria cidade de Jardinópolis. Pelo aspecto religioso, a ideia é integrar todas as paróquias da cidade nas festividades, bem como divulgar e promover a agenda de festividades do centenário em todas as cidades da região. Durante todo o próximo ano
estaremos visitando essas paróquias para contar um pouco da história da festa da Lapa ao mesmo tempo em que estaremos convidando a todos para participarem conosco do marco destes cem anos de fé e de evangelização.

N.S. – Qual a mensagem que a equipe gostaria de deixar para os leitores do nosso informativo?
Equipe: Esse é um momento de todos nós. Todos e cada um de nós temos uma história a contar a respeito da Festa da Lapa. Então, venha participar conosco. Se você tem uma história, uma foto ou só muita vontade de ajudar, entre em contato com alguém da equipe de serviço do Santuário. Você é muito bem vindo. Durante esse próximo ano, participe das nossas promoções e você estará contribuindo para que a festa do nosso centenário faça jus à importância que o Bom Jesus da Lapa tem em nossas vidas. 

Visite Jardinópolis na 99ª. Festa do Senhor Bom Jesus da Lapa de 28 de Julho a 06 de Agosto de 2012 e, faça conosco a Contagem Regressiva para a 100ª. Festa do Senhor Bom Jesus da Lapa de 28 de Julho a 06 de Agosto de 2013.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A RESPONSABILIDADE DE TER ACESSO À EDUCAÇÃO QUANDO A MAIORIA DO PAÍS NÃO TEM

Em 1995 o escritor português José Saramago presenteou o mundo com uma obra prima, o livro “O ensaio sobre a cegueira”. Nele, um homem perde a visão, repentinamente no trânsito e na sequência todos também vão ficando cegos e sendo postos em quarentena em um ambiente de humilhação e degradação humana. O próprio Saramago fala a respeito de sua obra: "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto quanto eu sofri ao escrevê-lo”. Apenas uma mulher, misteriosamente manterá a sua visão, enfrentando todos os horrores que se apresentarão. É interessante que José Saramago não faz a distinção de personagens pelos seus nomes, mas sim pelas suas características, como: o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o médico, a mulher do médico (a única que vê), a rapariga dos óculos escuros, o velho com a venda no olho, o rapazinho estrábico. O escritor ganhou o Prêmio Nobel de literatura no ano de 1998 por esta história fanstástica (mas nada fantasiosa).
Quando escreveu a frase: “A responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”, certamente Saramago sabia que ela se aplicaria a muitas situações da vida e uma delas, podemos dizer, é a Educação brasileira.
Dados mostram que 82% da população brasileira de mais de 5 anos de idade tem um ou mais anos de escolarização, mas somente 41% vai além dos quatro primeiros anos de educação básica, que correspondem ao antigo curso primário. 18% completam o curso básico de 8 anos, e somente 0,6% concluem a educação secundária. Reflitam bem este número. Ele quer dizer que a cada cem estudantes que iniciam a escola, menos de um, isso mesmo, menos de um termina o ensino secundário. E o analfabetismo absoluto, ainda existente sobretudo nas camadas mais pobres da zona rural e entre pessoas mais velhas. Quanto ao ensino superior, somente 10% dos alunos da faixa etária condizente com este nível consegue entrar em algum tipo de estabelecimento de ensino superior. É neste pequeno número, nesta parte mais fina do funil, que estou incluída. E também todos os universitários. Incluindo os meus alunos. Ouviram (leram bem)? Vocês são “aqueles que têm olhos, quando todos os perderam”. Portanto, ter a chance de ingressar e concluir um curso de nível superior não é um privilégio. É uma responsabilidade. É sua responsabilidade enxergar, ver, não se omitir aos desmandos dos poderosos e dos políticos. É sua responsabilidade não fechar os olhos aos problemas sociais do nosso país e do mundo. Não fechar os olhos para aqueles que sofrem, para aqueles que lutam com muita dificuldade para sobreviver. É sua responsabilidade garantir que no futuro, outros e em número maior tenham a chance que você está tendo agora. É sua responsabilidade ser alguém melhor para o mundo. Lembre-se disso, e daqui alguns poucos ou muitos dias quando você subir os degraus da sua formatura para pegar seu tão sonhado diploma será o responsável por conduzir pela mão uma fila de milhares de brasileiros, por ser o único que tem olhos.
Dados Científicos por: Simon Schwartzman, Eunice Ribeiro Durham e José Goldemberg. A Educação no Brasil em uma perspectiva de transformação - Universidade de São Paulo, 1993.
http://www.schwartzman.org.br/simon/transform.htm


sexta-feira, 18 de maio de 2012

HARRY POTTER (DA GENIAL J.K.ROWLING) - UM CONTO DE FADAS (OU DE BRUXAS) DOS TEMPOS MODERNOS


No meu tempo de criança os contos de fadas eram usados como importante recurso na educação de crianças e adolescentes. No final, sempre aparecia a “Moral da História”. Ou seja, os ensinamentos que podíamos tirar daquela fábula e aplicar à nossa vida cotidiana. Em plena era da tecnologia e da globalização, onde tudo circula rápido demais, os contos de fada também mudaram, mas ainda continuam, no final de tudo ou no decorrer da história, nos dando boas lições. Na minha idade talvez eu já devesse ter superado essa coisa de contos de fadas e coisa e tal. Mas algumas histórias estão acima dessa coisa de idade, de sexo, de nível cultural e são atemporais. Ou melhor. Algumas histórias são eternas. Este é o caso do mais brilhante conto de fadas (ou de bruxas) dos tempos modernos (em minha apaixonada opinião): Harry Potter.
J.K. Rowling, a autora, conta a história do mundo dos bruxos onde três bruxinhos ainda crianças vão gradativamente criando fortes laços de amizade e de valores. Ao mesmo tempo cria um universo paralelo cheio de personagens menores e suas histórias vão se encaixando perfeitamente à história central. Para um HP infantil de 11 anos, a autora cria uma história cheia de encantos e de fantasias infantis. A pedra filosofal é uma história leve e cheia de magia. À medida que o tempo passa, HP cresce e amadurece e junto com o personagem a história também amadurece. Um personagem mais maduro já enfrenta problemas mais reais. Em Cálice de Fogo, HP vê-se diante da morte de um amigo. Já não se trata mais de um universo infantil e, aos poucos, HP vai convivendo com perdas cada dia mais próximas: Cedrico, no quarto livro; Sírius no quinto; Dumbledore no sexto. HP vai ficando endurecido pelo sofrimento até estar perfeitamente maduro. Até estar pronto para a pior perda de todas: a da própria vida. Em nenhum momento JK banaliza a morte. Ela é tratada sempre como um inimigo cruel, implacável e sem solução até que Harry se vê diante da necessidade de morrer para salvar todos aqueles que ele aprendeu a amar. Então, “aceita a morte como uma velha amiga”, como diz o conto dos três irmãos de Beadle, o bardo. Aos poucos HP se dá conta de que a vingança não é importante. É necessário lutar por um bem muito maior: o direito a ser livre. O ultimo livro é denso, forte. Traz conflitos sérios e decisivos para a vida dos personagens: a lealdade, a confiança, a amizade, a partilha, são temas tratados com ternura e profundidades que raras vezes vi em uma história infanto-juvenil. Ah! Mas a essa altura a história de HP já deixou de ser infanto-juvenil e já é coisa de gente grande.
Na adaptação para o cinema, os personagens de HP ganharam rostos, formas. Ganharam vida. É fantástico ver um Ralf Fiennes transformar-se em Lord Voldemort, o Bruxo do mal. Um vilão extremo, louco pelo poder. Normalmente, em livros e filmes os vilões são bobos, sempre demoram demais pra puxar o gatilho e ficam “brincando com a comida”. Voldemort é um vilão inteligente que premedita cada passo. Um psicopata. E não bobeia na hora de lançar seu “Avada Kedavra”. É implacável quando mata Lílian e Thiago.
Estrelas de primeira grandeza brilham ao lado de meros desconhecidos (pelo menos até então). No terceiro filme, o maravilhoso Gary Oldman (o eterno Drácula) dá vida ao não menos espetacular Sírius Black, um homem destemido, irreverente, apaixonante. Infelizmente sua participação é curta (mas decisiva), na história. A história de HP cresce tanto à medida que se aproxima do desfecho final que até o logo da Warner vai ficando mais sombrio e a música incidental mais dramática. Harry, Rony, Hermione, conquistaram meu coração embora eu não seja adolescente. É que valores como esses trabalhados em HP são eternos. Queria que a história não tivesse acabado.
Antigamente, ser chamada de bruxa era uma ofensa e tanto. Hoje, para fãs de HP ser chamada de bruxa é um elogio. HP mostrou que não é uma coisa ruim ser bruxo, que os bruxos não são maus. São apenas, diferentes, como tantas outras diferenças. Muitas vezes fiquei imaginando um passeio de vassoura na noite fria com uma capa esvoaçante e a minha silhueta escura de encontro com uma lua cheia grande e brilhante. Quantas vezes imaginei o gosto da cerveja amanteigada, do suco de abóbora, um sapinho de chocolate...humm! E até o amargo gosto do Esquelesce...! Imaginei a sensação maravilhosa do vento batendo no rosto, enquanto cortava o campo em uma partida de quadribol, para finalmente fechar meus dedos ao redor do pomo de ouro. E até hoje sinto vontade de chorar ao recordar Dobby: "que lindo lugar para se estar com os amigos". Quem me dera ter tido um amigo como ele. Harry é especial por isso. Não tem preconceitos. É amigo de quem quer ser seu amigo. Não importa que seja bruxo, trouxa, gigante ou elfo doméstico. Ah! Os sonhos e as fantasias são mesmo muito mais vibrantes que a realidade.
Enfim, HP é tão perfeito que só pode ser uma história real. Tenho certeza que JK Rowling é na realidade uma Hermione Granger ou uma Gina Weasley que resolveu contar sua verdadeira história para o mundo dos trouxas.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

MINHA MÃE – NO MEU PASSADO E NO MEU PRESENTE - UM PRESENTE DE DEUS

Esta semana, por ser dia das mães no domingo, pensei em escrever uma reflexão sobre este personagem cem por cento presente na vida de cem por cento das pessoas. E é claro que uma reflexão sobre esse assunto versaria em torno da única pessoa que eu conheço como mãe: a MINHA. Mas aí já surgiu a primeira dificuldade. Minha mãe, não é a única pessoa que eu conheço no papel de mãe. A outra, obviamente, sou eu. Pensando por esse lado, cheguei a uma conclusão no mínimo, estranha. Conheço muito mais a mãe de outra pessoa (no caso da minha filha) do que a minha própria mãe. Sendo assim, será que eu realmente conheço minha mãe? Será que ela é realmente do jeito que eu vejo? Ou será que essa mãe que eu consigo enxergar com clareza, é a mãe que eu SOU e não aquela que eu TENHO? Confuso, né??? (sim, é confuso sim. dá pra mudar essa linha de pensamento???). Vou tentar.
Quando eu era criança, eu via minha mãe como uma mãe muito brava. Eu tinha dor de barriga a cada dois dias porque não queria ir à escola e ela, muito brava, dava-me palmadas no traseiro pra eu deixar de manha e pegar a estrada. E eu ia. Como eu nasci e me criei na roça, as oito horas da manhã, minha mãe pegava os quatro filhos, botava uma roupa velha no corpo, um chapéu na cabeça de cada um e íamos todos em um carrinho de burro pro meio da roça. Eu era muito pequena e achava tudo aquilo uma tortura. Como eu não tinha idade e nem força pra pegar no cabo da enxada, minha mãe me deixava embaixo de uma árvore e ia com os outros três para o penoso trabalho braçal embaixo de um Sol escaldante. Por muitas vezes, eu ficava ali sozinha, sentindo-me abandonada, desprotegida, com fome e algumas vezes tremendo de medo dos temporais de chuva que se armavam e partiam pra cima de mim como se fosse um bicho feroz querendo me devorar. Talvez, na fragilidade dos meus medos eu não pude, naquele momento, avaliar o quão valente foi aquela mulher que lutava contra seus próprios medos para transmitir a nós um pouco de confiança. Lembro-me (e essa eu tenho certeza que nenhum dos meus irmãos se esqueceu) de um dia em que o pobre burro fatigado desabou sobre as pernas, exausto, sem forças pra continuar. Recordo-me do esforço sobre-humano da minha mãe para conter o desespero e manter a calma naquele local distante e solitário com quatro crianças e um burro moribundo.
Em outras ocasiões, quantas vezes percebi que ela deixava de comer uma coisa, só para deixar para nós. E nós comíamos sem remorso. Sem perceber que talvez ela estivesse ficando com fome só para nos dar um pouco mais.
Então minha irmã caiu de um trator e rachou a cabeça. Depois do caso passado ríamos dela e dizíamos que nem assim ela tinha conseguido fazer os treze pontos (em alusão aos da loteria), porque nessa brincadeira ela ganhou quinze pontos e uma grande cicatriz. Mas, com esse acidente quem nunca mais cicatrizou foi o coração da minha mãe, que passou a nutrir um profundo desgosto de permanecer naquelas paragens áridas da zona rural. Lembro-me ainda de tantas vezes em que a seca da região era um prato cheio para as queimadas que se espalhavam pelos pastos secos e por várias vezes avançaram em direção à nossa casa. Nessas ocasiões, lembro-me da minha mãe rezando baixinho, pedindo proteção aos Santos que naquela época não me eram muito familiares.
Quando eu tinha dez anos, viemos para a cidade. Meu pai, de tirador de leite passou a dono se sorveteria. Nossa! Foi a melhor época da minha vida. Acho até que foi por causa disso que ganhei esses quilinhos a mais. E bastava meu pai dar uma ligeira bobeira e lá estava eu...roubando picolé. Tudo isso parecia um paraíso para mim, mas quem padecia nesse paraíso era minha mãe (afinal ser mãe é padecer no paraíso). O excesso de trabalho era grande e nós, ajudávamos muito pouco. Aos poucos, um por um, meus irmãos foram abandonando os estudos e por fim só restei eu. A possibilidade de sair da roça e concluir o segundo grau já era algo grande. Fiz magistério. E ser professora já era uma alegria sem tamanho (naquela época professores eram mais respeitados e valorizados). E eu sempre sonhei ser professora. Sonhava em falar, falar, falar (e eu falo, hein?). Mas ser professora da galera pequena, dos pixotes, dos pivetes, não me alegrava muito. Foi então que eu vi a possibilidade de juntar duas paixões: ser professora e a Biologia. Ir pra faculdade não foi tão difícil quanto permanecer nela. Meus irmãos abriram mão de realizações próprias em favor da realização dos meus sonhos. Minha mãe foi o grande incentivo silencioso desta jornada. As dificuldades financeiras eram muitas, mas ela sempre me descolava o dinheirinho do ônibus, do Xerox e muitas vezes levantou uma horinha mais cedo só pra me preparar aquela marmitinha para eu não gastar com comida. Humm! E é claro que a comida dela era cem mil vezes melhor que a do bandejão. Não sei se minha formatura trouxe a ela a compensação que ela merecia. Não sei se ela teve consciência de como ela foi importante na minha caminhada.
Vieram o mestrado e o doutorado. E quando o nascimento da minha filha me pegou bem no meio do meu doutorado, foi ela que ficou tomando conta do meu bebê, o qual eu nem tinha muito jeito (e nem paciência) para cuidar.
Há dez anos, um pedaço do coração da minha mãe partiu para sempre juntamente com a minha irmã. Não tenho ideia do que ela sentiu. Ninguém que não tenha perdido um filho pode avaliar isso, certamente. Quase um ano de depressão e dor extrema, no entanto, não foram suficientes pra derrubar essa mulher pacata, serena, chorona (uma manteiga derretida). Quando menos esperávamos ela ressurgiu das cinzas, voltou à vida e continua seguindo em frente. É ela o ponto de equilíbrio da minha família. É em torno dela que sentamos todos juntos. Como um grupo ao redor de uma fogueira em noite de geada.
Nessa véspera de dia das mães, às duas e trinta da madrugada, relembrando tudo isso, concluo que sou um lixo de filha. Que faço eu por ela? Que fiz eu por ela durante toda vida??? Como posso achar que sou boa filha se até hoje sei que ela não dorme enquanto eu não chego? E ainda fico brava com ela porque ela não dorme enquanto eu não chego. E eu como mãe? Como posso ser boa mãe pra minha filha se não chego aos pés da minha? Porém, agora que esta madrugada já está ficando fria e o sono já começa a me rondar, eu tenho apenas um agradecimento e um pedido a fazer. E não é à minha mãe. É a Deus.
Obrigada senhor, por eu estar viva, pois apesar de ter tantos defeitos, sei que minha mãe não suportaria me perder e quero te pedir: dê saúde e vida longa à minha filha para que eu possa voltar para os teus braços sem nunca ter visto um filho partir antes de mim. AMÉM!

sábado, 5 de maio de 2012

SALA DE ANATOMIA

                                                          

Seu corpo jaz frio

Há muito tempo inerte
Sua boca imóvel, calada
Seu silêncio ecoa no vazio

Na imensidão do morgue lúgubre
Uma gota de não sei quê
Pinga, parecendo um badalo
De um triste sino fúnebre

Sinto-me tão fascinada
E prostrada diante de ti
Ó morte, santa e bendita

Se foste sim, deixada por Deus
Por que temer-te ou odiar-te?
Resta render-me à tua justiça infinita

sábado, 21 de abril de 2012

ABORTO - O FETO... “EMBORA ESTEJA NA MÃE, NÃO É A MÃE”

Às vezes, evitamos falar publicamente de certos assuntos polêmicos para evitar conflitos com as pessoas que nos rodeiam. Afinal, cada um tem sua opinião. Hoje, resolvi dar a minha opinião a respeito de um dos assuntos mais polêmicos da atualidade, Aliás, não é uma opinião. É uma postura de vida. O assunto: o aborto.
Vou iniciar essa reflexão com duas perguntas. Pensem sobre elas.

1 - POR QUÊ aquilo que era considerado crime até bem pouco tempo atrás agora não é mais?
2 - POR QUÊ os países mais “desenvolvidos” aceitam o aborto enquanto os mais “atrasados” o rejeitam?
Aborto é a interrupção da gravidez pela morte do feto ou embrião, junto com os anexos embrionários. Pode ser espontâneo ou provocado.
Aborto provocado é a interrupção deliberada da gravidez; pela extração do feto da cavidade uterina. Em função do período gestacional em que é realizado, emprega-se uma das quatro intervenções cirúrgicas seguintes: A sucção ou aspiração; A dilatação e curetagem; A dilatação e expulsão; Injeção de soluções salinas.

Aborto como “Direito” da mãe
O aborto é frequentemente apresentado como um problema de "direito das mulheres". Na verdade, ser "pró-vida" é visto como sendo "contra os direitos da mulher". Deve-se lembrar porém que: O feto... “embora esteja na mãe, NÃO É A MÃE”. (texto-base da Campanha da fraternidade 2009).
No Brasil, o aborto voluntário será permitido quando necessário, para salvar a vida da gestante ou quando a gravidez for resultante de estupro. O aborto, fora esses casos, está sujeito a pena de detenção ou reclusão. E agora, acaba de ser aprovada a descriminalização do aborto dos anencéfalos. Segundo alguns médicos, mesmo antes desta legalização se o aborto de anencéfalos fosse praticado “não haveria descumprimento da lei porque, embora o risco de morte da mãe não fosse imediato, estariam evitando que a mulher enfrentasse as dificuldades de uma gestação que, com certeza, redundaria na morte do feto”. Como se o procedimento de aborto fosse menos perigoso à saúde da mãe do que uma gestação… percebem? (veja tabela abaixo)
Os Efeitos do Aborto para a Mãe
Efeitos Físicos
Efeitos Psicológicos
Esterilidade
Abortos espontâneos
Gravidez ectópica
Natimortos
Hemorragias e Infecções
Choques e comas
Útero perfurado
Peritonite
Febre/Suor Frio
Dor intensa
Perda de órgãos do corpo
Choros/Suspiros
Insônia
Perda de apetite
Exaustão
Perda de peso
Nervosismo
Capacidade de trabalho diminuída
Vômitos
Distúrbios Gastro-intestinais
Sentimento de culpa
Impulsos suicidas
Pesar/Abandono
Arrependimento/Remorso
Perda da fé
Baixa auto-estima
Preocupação com a morte
Hostilidade/Raiva
Desespero/Desamparo
Desejo de lembrar da data de nascimento
Alto interesse em bebês
Frustração do instinto maternal
Ódio por pessoas ligadas ao aborto
Desejo de terminar o relacionamento com o parceiro
Perda de interesse sexual/Frigidez
Incapacidade de se auto-perdoar
Pesadelos
Tonturas e tremores
Sentimento de estar sendo explorada
Horror ao abuso de crianças


Efeitos Sobre a criança abortada: dores intensas (o feto é sensível à dor); morte violenta; aborto de crianças vivas que se deixam morrer.

Efeitos Sobre as crianças que nascem depois: abortos de repetição no primeiro e no segundo trimestre de gravidez; partos prematuros.
FONTE: Fr. Frank A. Pavone - Priests for Life

Agora, vem cá! Alguém que está lendo isso aqui é mãe? Então eu pergunto: quantos anos tem seu filho?  Um? Doze? Vinte e Cinco? Cinquenta? Você o teria amado menos se ele tivesse vivido apenas duas ou três horas? (um bebê anencéfalo vive em média 56 minutos, embora haja casos em que viveram por muito mais tempo – Marcela – Patrocínio Paulista – 1 ano e 8 meses) 
Mesmo no caso de bebês em desenvolvimento normal, idealistas pró-aborto defendem a ideia de que se o ato em si for realizado precocemente, nada será sentido, uma vez que não se trata ainda de uma vida, mas de um amontoado de células. Essa questão de quando teria início a vida é muito polêmica, mas aí vai alguns dados importantes: na segunda semana do desenvolvimento embrionário já ocorre a implantação do embrião no útero, fase em que provavelmente a mulher nem sabe que está grávida. Na 3ª. semana há formação do tubo neural (futuro sistema nervoso do indivíduo). Na 8ª. semana o embrião passa a ser chamado “Feto” e no final do primeiro trimestre (12 semanas), já se formaram todos os principais sistemas.
Ainda falando em legislação, se a legalização do aborto acontecer os médicos poderão poderão realizá-lo sem que isso seja crime. Mas... e se a paciente morrer? Ele estará isento de ser responsabilizado e processado? Há ainda a dúvida se a realização dos abortos não irá desmoralizar profissionalmente o pessoal médico envolvido, porque, afinal, a profissão do médico é a de salvar a vida, não de destruí-la, seja ela qual for.
         A preocupação é com a mulher. Sim claro. Manter seus direitos. Que tipo de preocupação pelas mulheres existe quando colocamos mais esforço em matar a criança do que em ajudar a mulher a manter seu filho? A mentalidade do aborto vê a gravidez como uma doença. Ela não leva a mulher a sério no seu único privilégio de poder gerar uma nova vida!
Uma feminista pela vida escreveu certa vez: "O aborto reduz as mulheres ao status de máquinas de fazer sexo que podem ser 'consertadas' se necessário. O aborto ajuda a aliviar a ansiedade do homem pelo sexo e o libera do último vestígio de responsabilidade. O sexo é realmente livre afinal!".
Favoráveis ao aborto alegam que o número de abortos ilegais é enorme em clínicas clandestinas, colocando em risco a saúde da mãe. Sério. Vocês acham mesmo que legalizando o aborto essas clínicas duvidosas vão deixar de existir e deixar de ter clientes?
E QUAL O PAPEL DE NÓS CRISTÃOS NESTA HISTÓRIA TODA?
"Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é suprimi-la". Papa S. Felix.
Puxa! A lei do aborto foi aprovada não nos resta mais nada a fazer... Nossa luta foi em vão. Engano. Agora é que nosso papel é fundamental! Nem tudo que é lei é ético. Nem tudo que é lei é bom pra mim. Já dizia São Pedro em Atos dos apóstolos: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens”.
Quando o Estado lava as mãos é que começa a nossa luta. Cabe a nós trabalhar incessantemente para tirar essa idéia perigosa da cabeça das futuras mamães. O estado não manda em seu corpo, futura mãe, a escolha é sua, não é? Então, escolha a vida. Mãe: “TUDO TE É PERMITIDO, MAS NEM TUDO TE CONVÉM”.
Ética é um conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, e moral é o conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade. Para que uma atitude seja considerada ética ela deve conter dois aspectos: ser aceita como valor de uma sociedade e respeite a individualidade do sujeito que se torna objeto de uma ação – assim um aborto pode ser legal e até moral, mas nunca poderá ser ético. O fato de haver uma aceitação por parte da sociedade e de ser juridicamente possível somente torna o aborto aceitável do ponto de vista moral. No aspecto ético, a individualidade do nascituro é desrespeitada

Por exemplo, Diz Frederico Guilherme em:
“A escravidão no Brasil até o século XIX era legal. A moral vigente também não via nem um mal em se ter escravos. Pelo contrário, possuir escravos era sinal de status, era uma marca de alguém bem sucedido na vida. O sistema legal e amoral vigente diziam sim à escravidão. Mas e o indivíduo escravizado; qual era o seu sentimento em relação à sua condição? Sua individualidade era respeitada? A escravidão, portanto, era moral e legal, mas antiética. O mesmo se aplica a questão do aborto. O sentimento que motivou os abolicionistas a lutarem pelo fim da escravidão foi esta insongruência entre a moral e a ética daquele tempo.
            Podemos pedir a legalização do aborto e este vir a ser legalizado, podemos mudar nossas concepções morais e entender o aborto como aceitável, mas este jamais será ético, jamais será imune de culpa aquele que pratica o aborto, pois por ser antiético, este nunca será de fato um procedimento inteiramente bom”.

"O maior destruidor da paz no Mundo hoje, é o aborto.  Ninguém tem o direito de tirar a vida; nem a mãe, nem o pai, nem a conferência, ou o Governo." (Madre Tereza de Calcutá - Mensagem à Conferência na ONU).
Santa Gianna, a santa antiaborto, foi canonizada pelo papa João Paulo II em maio de 2004. Seu exemplo foi ter-se recusado a fazer um aborto quando, grávida, os médicos lhe disseram que levar a gestação a termo a mataria. Conforme a previsão dos médicos, ela morreu ao dar à luz. A criança, uma menina, viveu. Dois milagres atribuídos a Gianna, garantiram-lhe a canonização, ambos no Brasil, apesar de a santa ser italiana (de Milão). Santa Gianna, que era médica, entendeu o verdadeiro sentido das palavras de Jesus: “Eu vim para que TODOS tenham vida” (João 10, 10). TODOS! E não apenas alguns.

E as duas perguntas do início da reflexão? Você já tem as respostas para elas?